As seguintes perguntas visam ajudar a lidar com os efeitos da ansiedade e desmontar pensamentos catastróficos. Elas envolvem permanência, generalização e controle.
1) Sobre a permanência
A primeira delas: quanto tempo isso realmente dura?
Essa é a permanência do problema.
Pergunte-se: trata-se de uma situação específica, que vai me afetar agora ou que vai durar?
Essa situação vai me afetar pelas próximas 7h? pelos próximos 7 dias? Ou pelos próximos 7 meses?
A questão aqui é que, embora exista condições, tragédias e até diagnósticos que são pra vida toda, a grande maioria dos eventos que nos afligem são temporários, não são uma ameaça contínua e interminável como a ansiedade costuma sugerir, mas são localizáveis no tempo. E separar o que é perpétuo daquilo que é passageiro, nos ajuda a evitar os pensamentos e sensações catastrofistas.
2) Sobre a generalização
Próxima pergunta: o que isso afeta? A minha vida como um todo ou uma área da minha vida e da minha existência?
Essa é a generalização do problema – Trata-se de um evento isolado, contido num cômodo específico da minha vida, ou ele vazou e tomou conta da casa inteira?
E claro que existe crises que abalam tudo ao mesmo tempo. Mas a maioria dos nossos problemas mora num cômodo só. E a ansiedade é exatamente isso: um incêndio pontual que a sua cabeça insiste em tratar como se tivesse tomado conta da casa inteira.
Isolar o estrago é o que impede que um problema em uma área vire uma sentença sobre quem você é.
3) Sobre o controle
E por fim, a questão do controle: o que está sob o meu controle? O que, dentro dessa situação, depende de mim?
A ansiedade costuma misturar o que é seu e o que é do outro, aquilo que tem a ver comigo e com as minhas escolhas, e aquilo que é externo a mim e só depende do outro – e além disso a ansiedade também costuma amplificar a sensação de impotência frente a realidade e pode acabar distorcendo tudo.
Em exemplos práticos: Você não controla o diagnóstico. Mas controla se liga pro médico hoje, se marca uma consulta. Você não controla se vão te demitir. Mas controla como chega pra uma reunião e como entrega uma tarefa: você pode dar tudo de si em e fazer o seu melhor, ou apenas fazer de alguma forma, com o menor esforço pra tirar da frente. Mas independentemente se você se empenhou ou se apenas entregou, que são coisas que estão no seu controle, a forma como seu chefe vai receber e reagir a aquilo, essa está completamente fora e não depende de você. Ou seja, tem coisas que estão na sua mão e podem ser gerenciadas pela sua vontade – seus pensamentos, comportamentos e emoções. E tem coisas que não estão, que é basicamente todo o resto.
E separar o que é seu do que não é, é o que te tira da plateia, de uma posição passiva de expectador afetado pela realidade externa e te devolve o roteiro — o roteiro pra construir a sua própria cena.
No fim, a ansiedade não é burra. Ela só é péssima em matemática: exagera a duração, exagera o alcance, e some bem na hora de calcular o que é seu pra resolver.
Agora, você não vai eliminar a ansiedade fazendo essas três perguntas. Mas você vai fazer companhia pra ela com mais educação emocional. E às vezes é justamente isso que separa quem sofre de um problema de quem sofre do problema, do futuro e da opinião do vizinho, tudo ao mesmo tempo.
[Esse post foi adaptado a partir do vídeo produzido por Caio Ferreira]